CII
CII Critério Imobiliário Independente
Guia Técnico CII — 03

Entrada de Imóvel:
Quanto Guardar e Como Planejar

O valor da entrada define o custo total do financiamento. Entender como calculá-la e acumulá-la é o primeiro passo para uma compra financeiramente saudável.

20%
Mínimo recomendado
30%
Ponto de equilíbrio
50%
Redução de juros totais
01 — Fundamento

O que a entrada representa de fato

A entrada não é apenas um requisito burocrático dos bancos. Ela representa a parcela do imóvel que o comprador já possui no ato da compra — e quanto maior essa parcela, menor o risco assumido pela instituição financeira e, consequentemente, menores os juros cobrados.

No Brasil, os bancos exigem em geral entre 10% e 30% de entrada dependendo do programa de financiamento, do perfil do comprador e do tipo do imóvel. Mas o percentual mínimo exigido raramente coincide com o percentual financeiramente ideal.

Princípio técnico: Cada 10% a mais de entrada reduz o saldo devedor inicial e, com ele, a base de cálculo dos juros compostos ao longo de décadas. Em um financiamento de 30 anos, uma entrada de 30% em vez de 20% pode representar redução de 15% a 25% no total de juros pagos — dependendo da taxa contratada.

02 — Referências

Os três percentuais de referência

Não existe um percentual universal ideal. O que existe são três faixas com características e implicações distintas para o comprador.

20%
Entrada mínima
Ponto de entrada para a maioria dos programas. Financiamento viável, mas com custo total elevado e comprometimento de renda alto.
30%
Ponto de equilíbrio
Redução significativa nas parcelas mensais e no total de juros. Faixa onde o financiamento se torna mais gerenciável no longo prazo.
50%
Entrada confortável
Financiamento de menor risco, parcelas reduzidas e possibilidade de quitação antecipada mais viável. Ideal quando há capital acumulado.
03 — Composição

O que entra no cálculo da entrada

A entrada não é composta apenas pelo dinheiro disponível em conta. Existem recursos que podem — e devem — ser considerados no planejamento.

  • 💰
    Recursos próprios em conta ou aplicação Poupança, CDB, Tesouro Direto ou outros investimentos de liquidez. Atenção ao prazo de resgate antes de comprometer o valor.
  • 📋
    FGTS O Fundo de Garantia pode ser utilizado como entrada em financiamentos pelo SFH. Exige cumprimento de regras específicas: três anos de trabalho sob regime CLT, não possuir outro imóvel financiado pelo SFH na mesma cidade e intervalo mínimo entre usos.
  • 🏠
    Valor de imóvel a ser vendido Quando há imóvel a vender, o produto da venda pode compor a entrada do novo. Exige planejamento de prazo e não deve ser contabilizado antes da venda efetivada.
  • 🎁
    Doações ou antecipação de herança Recurso legítimo, mas que exige atenção ao imposto de transmissão (ITCMD) e à documentação necessária para comprovação de origem dos recursos junto ao banco.

Atenção: Os bancos exigem comprovação da origem de todos os recursos utilizados na entrada. Depósitos não justificados ou valores sem histórico bancário podem travar a aprovação do crédito. Planeje a movimentação financeira com antecedência mínima de 90 dias.

04 — Impacto

Como a entrada afeta o financiamento

A tabela abaixo ilustra o impacto de diferentes percentuais de entrada em um imóvel de R$ 500.000, com financiamento de 30 anos e taxa de 10,5% ao ano — referência próxima à média praticada em 2025/2026.

Entrada Valor financiado Parcela inicial (SAC) Total de juros estimado
20% — R$ 100 mil R$ 400.000 ≈ R$ 4.650 ≈ R$ 430.000
30% — R$ 150 mil R$ 350.000 ≈ R$ 4.070 ≈ R$ 376.000
50% — R$ 250 mil R$ 250.000 ≈ R$ 2.900 ≈ R$ 268.000

* Valores estimados para fins educacionais. Condições reais variam por banco, programa e perfil do comprador.

05 — Estratégia

Como acumular a entrada com método

Acumular a entrada exige disciplina, prazo realista e escolha correta dos instrumentos de acumulação. Improviso nessa fase compromete todo o planejamento seguinte.

  • 🎯
    Defina o valor-alvo antes de começar Calcule o percentual de entrada desejado sobre o valor do imóvel que pretende comprar. Some a esse valor os custos de aquisição (ITBI, cartório, despachante) — em geral 4% a 6% adicionais.
  • 📅
    Estabeleça prazo e aporte mensal Divida o valor-alvo pelo número de meses disponíveis. Esse é o aporte mínimo mensal necessário. Se o valor for inviável, revise o prazo ou o valor do imóvel — não o percentual de entrada.
  • 📈
    Escolha o instrumento adequado ao prazo Para prazos abaixo de 2 anos: Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Para prazos de 2 a 5 anos: CDB prefixado ou LCI/LCA isentos de IR. Evite renda variável para recursos com destino definido.
  • 🔒
    Proteja o capital acumulado Não misture o fundo de entrada com a reserva de emergência. Contas separadas evitam o uso indevido e tornam o progresso visível — o que sustenta a disciplina ao longo do tempo.